Pular para o conteúdo principal

Filosofia medieval.


A filosofia patrística começa com as epístolas de São Paulo e o evangelho de São João. Essa doutrina tinha também um propósito evangelizador: converter os pagãos à nova religião cristã. Surgiram ideias e conceitos novos, como os de criação do mundo, pecado original, trindade de Deus, juízo final e ressurreição dos mortos. As questões teológicas, relativas às relações entre fé e razão, ocuparam as reflexões dos principais pensadores da filosofia cristã.
Não por acaso, os mais proeminentes filósofos que surgiram nessa época tiveram grande preocupação em discutir assuntos diretamente ligados ao desenvolvimento e à compreensão das doutrinas cristãs. Já durante o século III, Tertuliano apontava que o conhecimento não poderia ser válido se não estivesse atrelado aos valores cristãos. Logo em seguida, outros clérigos defenderam que as verdades do pensamento dogmático cristão não poderiam estar subordinadas à razão.
Em contrapartida, existiam outros pensadores medievais que não advogavam a favor dessa completa oposição entre a fé e a razão. Um dos mais expressivos representantes dessa conciliação foi Santo Agostinho, que entre os séculos IV e V defendeu a busca de explicações racionais que justificassem as crenças.
A ideia de subordinação do homem em relação a Deus e da razão à fé acabou tendo grande predominância durante vários séculos no pensamento filosófico medieval. A chamada filosofia escolástica apareceu com o intuito de promover a harmonização entre os campos da fé e da razão. Entre seus principais representantes estava São Tomas de Aquino, que durante o século XIII lecionou na universidade de Paris e publicou “Suma Teológica”, obra onde dialoga com diversos pontos do pensamento aristotélico. A filosofia escolástica não foi promotora de um distanciamento das questões religiosas e, muito menos, afastou-se das mesmas. Mesmo reconhecendo o valor positivo do livre-arbítrio do homem, a escolástica defende o papel central que a Igreja teria na definição dos caminhos e atitudes que poderiam levar o homem à salvação. Com isso, os escolásticos promoveram o combate às heresias e preservaram as funções primordiais da Igreja.
Platão e Aristóteles, os grandes pensadores da Antiguidade, também foram as principais influências da filosofia escolástica. Nesse período, a filosofia cristã alcançou um notável desenvolvimento. Criou-se uma teologia, preocupada em provar a existência de Deus e da alma.
O método da escolástica é o método da disputa. A disputa consiste na apresentação de uma tese, que pode ser defendida ou refutada por argumentos.
Após uma longa preparação e um desenvolvimento promissor, a escolástica chega ao seu ápice com Tomás de Aquino. Adquire plena consciência dos poderes da razão, e proporciona finalmente ao pensamento cristão uma filosofia.

Características da filosofia medieval.

Filosofia Medieval (séc. II a. C. ao Séc. XIV)

 Compreende a Patrística e a Escolástica. Predominou num período em que a Igreja Romana dominava a Europa, organizava Cruzadas à Terra Santa e criava, à volta das catedrais, às primeiras universidades e escolas.

Tarefa religiosa de evangelização e defesa da religião cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos. O objetivo era convencer os descrentes, tanto quanto possível, pela razão, para depois fazê-los aceitar a imensidão dos mistérios divinos acessíveis pela fé.

 Distinção desconhecida pelos antigos entre verdades reveladas ou da fé e verdades da razão ou humanas, que representam, respectivamente, verdades sobrenaturais e verdades naturais.

Pensamento subordinado ao princípio da autoridade, isto é considerada verdadeira baseada nos argumentos de uma autoridade reconhecida.

 Possibilidade ou impossibilidade de conciliar fé e razão.

Santo Agostinho.

Um dos grandes santos da fé católica, Agostinho produziu, segundo ele próprio, inacreditáveis 230 obras. As mais conhecidas são sua autobiografia, as Confissões, em que narra sua vida pecaminosa e a descoberta de Deus, e a Cidade de Deus, sua descrição do reino divino.
Agostinho foi criado como um cristão por sua mãe na África do Norte, mas, na juventude, quando estudava em Cartago, ficou insatisfeito com a aparente simplicidade das escrituras cristãs. Em busca de uma religião digna de um filósofo, tornou-se seguidor dos maniqueístas, seita fundada pelo profeta Mani, crucificado na Pérsia em 277.
Agostinho morreu em Hipona aos 75 anos, quando a cidade estava cercada por vândalos que, em seguida, saquearam.

São Tomás de Aquino.

Nascido em uma família de nobres, Tomás de Aquino fez os primeiros estudos no castelo de Monte Cassino. Em Nápoles, para onde foi em 1239, estudou artes liberais, ingressando, em seguida, na Ordem dos Dominicanos, em 1244. De Nápoles, a caminho de Paris, em companhia do Geral da ordem, foi sequestrado por seus irmãos, inconformados com seu ingresso no convento. No ano seguinte, fiel à sua vocação religiosa, viajou a Paris, onde se tornou discípulo de Alberto Magno, acompanhando-o a Colônia. Em 1252, voltou a Paris, onde se formou em teologia e lecionou durante três anos. Depois de voltar à Itália, foi nomeado professor na cúria
pontifical de Roma.
Ensina, durante anos, em várias cidades italianas. Uma década depois, retorna a Paris, onde leciona até 1273. A seguir, parte para Nápoles, onde reestrutura o ensino superior. Em 1274, convocado pelo papa Gregório 10º, viaja para participar do Concílio de Lyon. Adoece, durante a viagem, vindo a falecer no mosteiro cisterciense de Fossanova, aos 49 anos de idade. Chamado de Doutor Angélico e de Príncipe da Escolástica, Tomás de Aquino foi canonizado em 1323 e proclamado doutor da Igreja Católica em 1567.
Na Suma Teológica, sua obra máxima - é a das relações entre a ciência e a fé, a filosofia e a teologia. Fundada na revelação, a teologia é a ciência suprema, da qual a filosofia é serva ou auxiliar. À filosofia, procedendo de acordo com a razão, cabe demonstrar a existência e a natureza de Deus.

As obras de Tomás de Aquino podem-se dividir em quatro grupos:

1. Comentários: à lógica, à física, à metafísica, à ética de Aristóteles; à Sagrada Escritura; a Dionísio pseudo-areopagita; aos quatro livros das sentenças de Pedro Lombardo.

2. Sumas: Suma Contra os Gentios , baseada substancialmente em demonstrações racionais; Suma Teológica , começada em 1265, ficando inacabada devido à morte prematura do autor.

3. Questões: Questões Disputadas (Da verdade , Da alma , Do mal , etc.); Questões várias .

4. Opúsculos: Da Unidade do Intelecto Contra os Averroístas ; Da Eternidade do Mundo , etc.

 Retirado do site:



Comentários

Top 5 da Semana

Shisa.

Shisa é um leão dragão de origem chinesa, usado como um amuleto ou carranca, na província deOkinawa, ao extremo sul do Japão. As pessoas colocar pares de shisa em seus telhados ou de acompanhamento dos portões de suas casas. Acredita-se que Shisa proteja a casa dos acidentes naturais. O cão shisa ou leão é um artefato cultural de Okinawa. Eles podem ser classificados como gárgula. São tradicionalmente usados para afastar os maus espíritos. Geralmente colocavam-se dois nos telhados das casas para protegê-las, um de boca aberta (fêmea) e outro de boca fechada (macho). A cultura de colocar Shisa sobre os telhados deu origem pelo fato de haver muitos casos de tufões. Acredita-se que eles protegem de alguns males. A boca aberta espanta os maus espíritos, e a boca fechada mantém o bom humor em casa. A partir do período Edo, eles passaram a ser chamados de "cães de guarda", em geral, no Japão continental. Alguns habitantes de Okinawa acreditam que a fêmea te...

Quem são os Viltrumitas?

  Para quem assim como eu assistiu a animação Invencível na Amazon e pensou o que é são os Viltrumitas? Esse post é para você !!! Os Viltrumitas são uma raça de conquistadores do planeta Viltrum, eles alcançaram a “utopia” eliminando os mais fracos na guerra civil que ocorreu em seu planeta, o objetivo deles é simples dominar os outros mundos por meio de duas opções o povo do planeta invadido se renda e se submete ao império Viltrumita entregando tributos a eles ou não se rende e tem todo o planeta destruído, toda sua espécie extinta e os recursos do planeta saqueados. Sobre Viltrum, é um planeta lindo, tem uma atmosfera rica em carbono, é duas vezes o tamanho da Terra e sua gravidade 1,25 maior que a nossa. Os recursos naturais do planeta se esgotou a muito tempo, e esse planeta é atormentada por terremotos e tempestades de metano. Características da raça. Os habitantes de Viltrum são os Viltrumitas uma raça humanoide, tem o tamanho aproximado de um humano médio, possuem um imenso...

Simon.

Saúde!!!

Esfinge.

A Esfinge ou Sphinx é uma criatura da tanto da mitologia egípcia quanto da grega. Esfinge é uma imagem icónica de um leão estendido com a cabeça de um falcão ou de uma pessoa, presente tanto na mitologia grega, quanto na arquitetura egípcia. São criaturas mistificadas como traiçoeiras e impiedosas. Na arte decorativa europeia, a esfinge teve um grande ressurgimento durante o Renascimento. Mais tarde, as esfinges, que seguiam muito o conceito original egípcio, foram incorporadas em muitas outras culturas, embora muitas vezes interpretadas de forma bastante equivocada, devido a problemas nas traduções dos escritos originais, e da evolução do conceito em relação a outras tradições culturais. Geralmente, o papel das esfinges está associado a grandes estruturas arquitetónicas, como tumbas reais e templos religiosos. A esfinge mais antiga conhecida foi encontrada perto de Gobekli Tepe, em Nevali Cori, Turquia, datada de 9.500 a.C. Esfinge egípcia. A mitologia egípcia retrata a esfinge c...