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Cruz e Souza.


João da Cruz e Souza nasceu em 24 de novembro de 1861 em Desterro, atual Florianópolis – Santa Catarina –e morreu aos 36 anos, em 19 de março de 1898 devido ao agravamento da tuberculose em Minas Gerais. Era Filho de Guilherme da Cruz, mestre pedreiro, e Carolina Eva da Conceição, lavadeira, ambos negros e escravos, alforriados por seu senhor, o coronel Guilherme Xavier de Souza. Do coronel, o menino João recebeu o último sobrenome e a proteção, tendo vivido em sua casa como filho de criação.
Cruz e Souza Estudou no Ateneu Provincial Catarinense, de 1871 a 1875, onde aprendeu francês, inglês, latim, grego, matemática e ciências naturais. Aos oito anos, já recitava versos seus, em homenagem a seu protetor. Em 1881, fundou com Virgílio Várzea e Santos Lostada, o jornal Colombo, no qual proclamavam adesão à Escola Nova (o Parnasianismo). Realizou conferências abolicionistas em várias capitais. Em 1884, foi nomeado pelo presidente da província de Santa Catarina, Dr. Francisco Luís da Gama Rosa, Promotor de Laguna, função que não pode assumir, pois a nomeação fora impugnada pelos políticos locais.
Partiu para o Rio de Janeiro, em 1888, onde conheceu Nestor Vítor, que seria seu grande amigo e divulgador de sua obra. Dois anos mais tarde, voltou para o Rio de Janeiro e no ano seguinte começou a publicar nos jornais: "Folha Popular" e "O Tempo", manifestos simbolistas. Fez parte do grupo "Novos", denominação dos "decadentes" ou simbolistas. Publicou, em 1893, "Missal" (poemas em prosa) e "Broqueis" (poemas). Com essas obras, consagrou-se como o fundador do Simbolismo brasileiro, por combinar o parnasianismo, o pessimismo, o materialismo à musicalidade simbolista, sob as influências de Baudelaire e Antero de Quental, de quem foi grande leitor. Casou-se, neste mesmo ano, com Gavita Rosa Gonçalves, com quem teve quatro filhos os quais morreram precocemente por tuberculose, o que a deixou enlouquecida. Foi o escritor quem cuidou da esposa.
Foi nomeado praticante e, posteriormente, arquivista da Central do Brasil. Em 1894, foi diagnosticada a tuberculose, na esperança de uma melhora que não aconteceu. Postumamente, foram lançados seus livros "Evocações" (1898), "Faróis" (1900) e "Últimos Sonetos" (1905), em edições organizadas por Nestor Vítor.
João da Cruz e Souza começou sua carreira jornalística e literária em Desterro, colaborando para jornais e escrevendo textos abolicionistas. Nessa época publicou “Tropos e Fantasias” em parceria com Vírgílio Várzea.
Apesar de tanto sofrimento, Cruz e Souza é considerado o maior e melhor escritor simbolista brasileiro, suas obras “Missal” e “Broquéis” marcam o início deste período
literário no Brasil, em 1893 e as quais são consideradas o marco inicial do Simbolismo no Brasil que perduraria até 1922 com a Semana de Arte Moderna.
Os simbolistas procuravam obter em suas obras variadas efeitos sonoros e rítmicos, além do gosto pela linguagem rebuscada.
Cruz e Souza, é claro, não fugiu destas características, além delas, seus textos falam sobre morte, Deus, mistérios da vida e personagens marginalizados.
Sua linguagem é muito rica e seus poemas mais longos possuem grande musicalidade.

Outras características.

- Pessimismo 
 - Perfeccionismo formal
 - Metáforas
O Dante Negro (como foi apelidado) também trabalhou em uma companhia teatral e na Estrada de Ferro Central do Brasil alem de ser conhecido como o mais importante escritor do Simbolismo.
Infelizmente, teve uma vida sofrida, além do preconceito racial, a tuberculose destruiu sua família e a loucura se apoderou de sua esposa.
Ele mesmo não escapou da terrível doença e acabou morrendo na clínica onde estava internado.

Obras.

- Vida Obscura 
- Triunfo Supremo 
- Sorriso Interior
- Monja Negra
 
Obras Póstumas:

- Evocações 
- Faróis (1900) 
- Últimos Sonetos (1905)
- O Livro Derradeiro
 
Poesia:

Broquéis (1893);
Faróis (1900)
Últimos sonetos (1905).
Prosa poética:
Tropos e fanfarras (1885)
Em conjunto com Virgílio Várzea, Missal (1893)
Evocações (1898).
As obras Evocações, Faróis e Últimos Sonetos foram publicados depois de sua morte.

Um poema de Cruz e Souza.

TRIUNFO SUPREMO

Quem anda pelas lágrimas perdido, 
Sonâmbulo dos trágicos flagelos,
É quem deixou para sempre esquecido 
O mundo e os fúteis ouropéis mais belos!

É quem ficou do mundo redimido, 
Expurgando dos vícios mais singelos 
E disse a tudo o adeus indefinido 
E desprendeu-se dos carnais anelos!

É quem entrou por tôdas as batalhas 
As mãos e os pés e o flanco ensangüentado, 
Amortalhado em tôdas as mortalhas.

Quem florestas e mares foi rasgando 
E entre raios, pedradas e metralhas,
Ficou gemendo, mas ficou sonhando!
 
Cruz e Souza

Retirado do site: http://www.infoescola.com/escritores/cruz-e-sousa/

http://poetas.tudolinux.com.br/index.php/Poetas/Obras/28/82/TRIUNFO-SUPREMO

http://educacao.uol.com.br/biografias/cruz-e-sousa.jhtm

http://www.brasilescola.com/literatura/cruz-sousa.htm

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